quinta-feira, 18 de maio de 2017

hino à Independência

Brilha o sol detrás das nuvens, ainda
herança de uma idade de pedra
da qual saímos.

Num eterno retorno, nova idade
de pedra se avizinha envolta em bárbarie
e decadência.

Lascas de um tempo incogniscível...
em busca do tempo perdido, nós nos sentamos
às margens da Babilônia
sentamos e choramos...
Sem harpas nem liras.

As lembranças que, da infância, nos sorriem
ainda que a velhice leve de nós o vigor dos joelhos,
mantém em nós, carícia plena,
e a esperança mantém a mente firme
enquanto os sonhos pavimentam os destinos dos homens
e os caminhos, escolhidos à dedo, das mulheres.

Há um mistério venerável às suas costas
Que apenas outro ser... tão misterioso quanto
pode entrever.
Se nas lacunas, não nos corredores...

Se nos teus olhos, não no entrecortar das falas,
são tuas janelas de lágrimas ocultando todo prazer
que sussurram para mim estes versos.

Em outro canto, numa sala cinza,
se ainda aluna fosse
e covarde me mantivesse
livraria a minha cara sem pena
com algum talento retórico
e caminharia entre as vilezas alheias
sem arder nem, das janelas,
me jogar.

Mas essa ferida amarga do teu olho esquerdo
a minha fera ferida, identificada e cálida
conquistou.
Não perdoo filosofias feitas da carne alheia.
Esta pantera, minha herança de família,
se debate em iras ao ver o que fazem de ti:
um Judas em Sábado de Aleluia.
Observo, de mãos atadas. as bombas explodirem...
uma a uma, cotidianamente. Estou atenta
mesmo com olhos de vidro.

Os cinzentos seres que se arrastam pelos corredores
não são bons, nem maus
(o que não justifica os atos que têm)
e eu sei o motivo de toda audácia
pra transformar tua figura
em seta e alvo.

É tua beleza, essa tirana que me adoça
e me agrada ao escrever estes versos...
Ainda que me doa a distância
das tuas asas...
Mas eu jamais admitiria
sem o suave manto do eu-lírico.

É essa absurda companhia:
que me impele
me pega pela mão
me devolve o verso
e me tira da crise.

Abre minha pupila:
o olho direito e tua vírgula.
Entra na minha voz:
Teu vestido e tua língua.

Mariana Belize



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