sábado, 13 de maio de 2017

Walter Benjamin e as Santas Almas Benditas

Uma confissão nesse dia das almas: nunca entendi muito bem o Walter Benjamin. Nunca fez muito sentido na minha cabeça os textos dele, tanto que me desinteressei, durante algum tempo, de ler e reler ele, como faço com Adorno: uma leitura cotidiana, de levar pra todo canto, do trem ao banheiro.
Num dia desses da vida, conversando com Nonato Gurgel, falei do meu ranço pela leitura de Benjamin e que tinha medo de ser mal vista na Academia (que é mais cruel do que os filhos de Bel), já que Benjamin era um dos mais lidos e mais citados. Foi aí que ele me sugeriu ler "Experiência e pobreza", do livro "Magia e técnica, arte e política". E eu li.
Vou deixar aqui um trecho que me fez ver a minha "bobice" e passar a admirar o Walter em toda sua prosa.
"Ficamos pobres. Abandonamos uma depois da outra todas as peças do patrimônio humano, tivemos que empenhá-las muitas vezes a um centésimo do seu valor para recebermos em moeda miúda do 'atual'. A crise econômica está diante da porta, atrás dela está uma sombra, a próxima guerra."
Isso em 1933. Pré-segunda guerra.
Atual, né?
Infelizmente parece muito com esses nossos dias...
Infelizmente.
PS; Professor de verdade não é aquele que joga na cara do aluno os erros que este comete/repete/insiste. É aquele que traz outra rota, uma fuga à esquerda da rua de mão única.
Obrigada, professor Nonato Gurgel, por me reconciliar a Benjamin. <3 span="">

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