sábado, 13 de maio de 2017

Wordsworth

arrastada
draga maldita de rima antiga
poeta de quimeras
me arrebenta nas runas que orquestra

nem quero ver
foto alguma do teu rosto
guardo apenas o teu ritmo silencioso
entre as dobras

separa para mim um parágrafo grifado
no livro mais novo
do professor catedrático
que recita e me incita com os versos sem pudores

vou me formar, tirano de merda, vou embora daqui
sem fugir
sem arder
e sem te matar de tanto
rir.

coagida a aceitar uma assinatura de revistas
abro meu tarô para ver o arcano sem saída
enquanto recalculo minha rota em silêncio
um combate de palavrório
e saio ilesa
novamente

larga a cocaína, mestre dos fantoches
as pessoas desconfiam de você
assim travado nas aulas...
assim fungando e rindo...
arrumando as cadeiras...

eu vi na tua pasta o pó de runas,
não adianta gritar.

eu não vou morrer
e você não vai me matar.

Mariana Belize

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