quarta-feira, 28 de junho de 2017

Anjo

recuperei meu vento, minha tristeza
volta para mim o círculo luminoso
aproveito pra fugir da lua
meu texto datado
essas letras sem significado
descubro que amo
descubro pelo medo e não pela alegria
desisto
de qualquer coisa
esse pano branco que me cobre
um buraco indivisível
essa tristeza que é meu vinho
sou sóbria de melancolia
restos de carnaval
pisada na central
deitada de peito aberto
escancarada na candelária
tem o mar, tem o céu, tem deus
o mosteiro de são bento
não quero o flagrante
graças a deus não sou mais poeta
não me ergo, enérgica, gritando
não
não dou adeus ao esteves
não

não
desde ontem a cidade continua a mesma

eu aqui
você aí
e acabou-se o amor.

quero o Raphael pra sempre.
deixe estar.

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