terça-feira, 27 de junho de 2017

Hórus

Eu não sei onde perdi o amor que sentia por você. Os sonhos ficaram, eu me lembro do carinho em nossos diálogos clandestinos pelas ruas, correndo risco pelas madrugadas. Eu não sei onde me perdi disso, ando sufocada de tudo. O livro que comprei, perdi também, e ainda preocupada com tanta coisa, me perco outra vez. Sim, repito, repito, me deixa repetir. Eu sei que vou parar no mesmo lugar. Novamente, a vida me traz. Esse círculo, essa magia do teu olho esquerdo, o desenho de Hórus. vem, mistério desanunciado. Vem de novo. Me dá uma chance.
Não sei.
A distância não existe, encontro você aqui nesse aparelho de madrugada e quando me olho no espelho. O chuveiro de lágrimas obscuras são essas mesmas palavras que digito em laranja metálico, mas que você não vai ver nunca e tal e tal. A coisa toda é um mistério até pra mim nessa encarnação de areia e pérola. Vem, novamente, caminha comigo, peregrino, vambora.
Não sei.
O segredo sempre há de caleidoscopizar a vida. Será que isso tudo existe e eu queria mesmo era te ver falar mais umas três horas. Mas creio que consiga te encontrar em algum canto dessa vida novamente. Não sei porque você me achou, nem porque estamos aqui, nem se estou escrevendo certo essa palavra sem ação.
Não sei.
Alguma coisa eu sinto e não sei. Ao mesmo tempo sua voz parece mais doce do que eu me lembrava, antigamente.... Eu sonhei com você novamente algumas vezes e com Teresa D'Ávila, mas você estava na rua comigo e falávamos de céu e terra e eu mexia no seu cabelo. Deitei no seu colo, viimos lua e sol nascerem juntos e crianças correndo pela rua. Não sei.
Não sei,
Mas eu lembro.
Não sei.
Mas eu lembro.

Tudo é sonho e nada é sonho.
Impossível.
Não sei.

Mariana Belize

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