quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu sou branca

Eu sou branca.
Minha obrigação é, sobretudo, calar a boca quanto a questões negras. Calar quando alguma mulher negra falar. Calar quando alguma pessoa negra apontar racismo na minha fala ou nas minhas ações. É aceitar e rever cada ação que pauta minha existência na sociedade para jamais prejudicar a luta de ninguém.
Minha missão é ouvir. Pelo menos isso.
Eu sou branca.
Nunca fui parada pela polícia. Nunca fui seguida em nenhuma loja. Nunca me preteriram em relacionamentos por causa da minha cor. Minha cor nunca me causou constrangimento, nem problemas, nem preconceito.
Racismo reverso não existe.
Calar é o MÍNIMO que as mulheres brancas podem fazer.
Não é chamar de "mana", "irmã", a mulher negra e depois ser racista. Não é se enfiar nas discussões que não nos dizem respeito. Não é hiperssexualizar mulheres e homens negros. Não é ler Audre Lorde e achar que entende a vida, as dores e os problemas do povo negro.
Ser branco é aprender a calar a boca. Ser branca é aprender a calar a boca.
A gente não sabe NADA da história dos negros, não entende NADA de diáspora e, esperneiem o quanto quiserem: nossa cultura não é nada, não temos laços ancestrais, não somos grandes seres humanos, não somos nada.
Com qual cabeça você leu a história da África?
Como você quer entender a dor alheia se não descoloniza o pensamento?
Ao branco, à branca, resta calar a boca.
Só pra começo de aprendizado, empatia do silêncio.
Descolonize-se através do silêncio.
Mariana Belize
PS: se eu tô falando merda, pelo amor de Oxalá, me corrijam mesmo. Afinal, branco só faz branquice e tô sujeita aos erros comuns da branquitude.

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